O MLS aprovou uma moção contra feriados religiosos (a informação já tem quase um mês, mas só hoje me caiu no radar, via bananalogic).
Nesta moção, é defendida a extinção de 5 deles:
- Sexta-Feira Santa (móvel, Sexta-Feira imediatamente anterior à Páscoa);
- Corpo de Deus (móvel);
- Assunção de Nossa Senhora (15 de Agosto);
- Todos os Santos (1 de Novembro);
- Imaculada Conceição (8 de Dezembro, antigo Dia da Mãe).
Numa conversa que tive há tempos sobre a temática, destes, só não defendia forçosamente a extinção do dia de Todos os Santos (com este ou outro nome) — até porque apoiava a extinção de outros (inclusivé, feriados locais como o Santo António, São João ou São Pedro) com base na premissa (algo sarcástica, claro) de que "se existe um dia de todos os santos, porque é que se há-de comemorar mais um ou outro por santos específicos?". O 8 de Dezembro (Imaculada Conceição) situava-se no pólo oposto: defendo com unhas e dentes que se acabe com esse feriado, porque Dezembro já é um mês suficientemente pouco produtivo (entre o feriado da Restauração da Independência, o Natal, as vésperas de feriados em que pouco ou nada de faz, as férias, e todos os restantes dias em que se procrastina bastante sob a insígnia do isto agora demora mais porque se mete o Natal
).
Nessa mesma conversa, também não ia tão longe como a moção, que apresenta como solução a ideia de que todos os trabalhadores tenham, em substituição desses cinco feriados, o direito de declarar cinco feriados pessoais
. Em teoria, é muito bonito (como a história de os carros alternarem no acesso a certos locais pela paridade do último dígito da matrícula); na prática, era pior a emenda que o soneto. Das duas uma:
- se estes feriados forem marcados ao ano (como o artigo dá a entender, ao referir que
os não-crentes poderiam estipular quaisquer feriados pessoais da sua preferência individual — por exemplo, algumas segundas — ou sextas-feiras, permitindo-lhes fins-de-semana alongados
), aumenta-se em 5 doses a confusão que já existe em muitas PMEs quando toca a marcar férias; - se o objectivo for que um trabalhador tenha os seus feriados formal e definitivamente marcados, então é simplesmente ridículo. Por um lado, a burocracia associada ao processo (ou não estivéssemos onde estamos), e por outro, ao extremo, já estou a imaginar uma entrevista de emprego:
Bem, você até tem umas boas qualificações, mas estávamos a precisar de alguém que não tivesse feriados em Julho…
. Também consigo imaginar, rapidamente, 5 anúncios de jornal diferentes no mesmo tom.
Moral da história: se é verdade que impingir feriados religiosos tem o seu quê de atentado à liberdade de cada um (além de alguns dos feriados, mesmo para católicos, serem de relevância duvidosa), também é verdade que a solução apresentada pelo MLS roça a utopia. Ou então isto já foi implementado num dos eternamente citados como países desenvolvidos
, com espectaculares resultados, e eu não dei por isso; a sério, ponho essa hipótese, informem-me se for o caso, fáxavôr!
Para terminar, pergunto-me eu: trabalhar mais uns dias por ano, não se equaciona? Ou o que importa é ter feriados q.b. e pôr a culpa de tudo na "crise" e na "falta de incentivos para as empresas não deslocalizarem a sua produção"?













4 Comments
Bem eu devo dizer que concordo com o que tu dizes e que a minha ideia seria muito mais simples e eficaz: cada religião com mais de x% apurado no ultimo Census recebia 2 ou 3 feriados importantes no pais… Já que estamos num estado laico acho que seria justo… Eu sobrevivia bem só com Natal, Pascoa e um feriado municipal por exemplo… Mas isso sou eu que sou Ateu e que só participo no Natal por tradição familiar…
Não posso concordar contigo Dextro. Ou somos um estado laico ou não somos e se o somos então não deve haver qualquer feriado religioso. Claro que o Natal já nada tem a ver com religião, bem como grande maioria dos feriados ditos religiosos. Trata-se de uma herança cultural de um país que não era laico.
eu também não dava grande importância aos feriados, mas depois comecei a trabalhar… :)
Enquanto católico praticante, estes dias, para mim, são sinónimos de mais trabalho. Participar em celebrações e trabalhar nos projectos.
Sinceramente, acho que abdicar de estes feriados seria renegar uma grande parte do legado que construiu, bem ou mal, o país. De todos estes feriados, o mais importante é a 6.ª feira santa, visto que é a morte e ressureição de Jesus Cristo que distingue os cristãos dos judeus
Reconheço que para quem n acredite, feriados religiosos parecem incómodos, mas trocar feriados com algum sentido e significado por feriados de conveniência para os trabalhadores não é a melhor forma. Iria afundar o país numa constante improdutividade.
Se fosse para remover os feriados que ao menos fosse para benificiar o país, ou seja, aumentar a produtividade. Já vivi em vários países e nenhum outro faz pontes como Portugal. Se fosse para mudar, que fosse para corrigir isso.
Que eu saiba o Natal por si só já é bastante distintivo entre cristãos e judeus, não vejo a necessidade para um segundo feriado… Porque celebrar a morte E o nascimento? Celebrem apenas um!